A polêmica Lei nº 13.770
Em abril de 2024, Londrina aprovou a Lei nº 13.770, gerando forte divergência nas esferas política e social. O projeto, inicialmente concebido pela vereadora de extrema direita Jessicão, buscava proibir a participação de atletas transexuais e travestis em competições esportivas. No entanto, a redação final da lei acabou por incluir um número considerável de pessoas, abrangendo também indivíduos cisgêneros, bem como gays e bissexuais, evidenciando assim um impacto mais amplo do que o pretendido.
Quem é afetado pela proibição?
A Lei nº 13.770 é bastante abrangente e impacta diversas identidades de gênero e orientações sexuais. Segundo o segundo parágrafo do seu primeiro artigo, o termo “sexo biológico de nascimento” é restrito a “Feminino” e “Masculino”, o que exclui a admissibilidade de participação em competições de atletas cujos gêneros não se alinhem ao sexo atribuído no nascimento, englobando diversas categorias, como:
- Gay
- Lésbica
- Bissexual
- Pansexual
- Intersexual
- Assexual
- Transexual
- Agênero
- Não binário
- Cisgênero
- Transgênero
- Travesti
Dessa forma, a proibição não se limita apenas às pessoas trans, mas atinge uma ampla gama da comunidade LGBTQIA+, tornando-se uma questão de diversidade e inclusão em jogos e competições.

Os objetivos da vereadora Jessicão
A proposta da vereadora Jessicão foi apresentada sob a justificativa de proteger valores familiares e a integridade do esporte. No entanto, críticos da lei argumentam que a intenção real pode ter sido de marginalizar e silenciar os grupos mais vulneráveis da sociedade, fomentando discriminação em vez de proteção. Durante discussões na Câmara Municipal, restou evidente que a falta de esclarecimento quanto aos conceitos de identidade de gênero e orientação sexual por parte da legisladora levantou sérias questões sobre a fundamentação da lei.
Repercussão entre a população
A lei gerou reações mistas na população. Enquanto alguns apoiam a ideia de uma “proteção” ao esporte, muitos veem isso como um retrocesso na luta por direitos humanos e inclusão. A falta de conhecimento e o preconceito acerca das realidades trans e não-binárias no Brasil ainda são alarmantes. A aprovação da lei ocorreu sem uma discussão adequada, levantando questionamentos sobre o real entendimento e a necessidade de um debate mais aprofundado sobre o papel das identidades no esporte.
Manifestação e resistência contra a lei
Organizações de defesa dos direitos humanos, bem como integrantes da comunidade LGBTQIA+, começaram a se mobilizar contra a Lei nº 13.770. A pressão pública aumentou após a leitura de trechos da lei na Câmara, quando a vereadora Paula Vicente (PT) fez um importante alerta sobre a abrangência e os possíveis mal-entendidos sobre os conceitos ali expressos. Assim, egressos de diferentes categorias sociais, incluindo atletas, se uniram para protestar, evidenciando a força de resistência à discriminação.
Análise das vozes dissidentes
Críticos da lei, incluindo especialistas em gênero e direitos humanos, apontam que é crucial que a legislação esteja alinhada com os princípios da diversidade e inclusão. Eles ressaltam que a instalação de uma lei que favoreça a exclusão apenas intensifica o estigma e discriminação já enfrentados pelos grupos afetados. As falas opositoras se multiplicaram, enfatizando a necessidade de um entendimento mais amplo sobre o tema e de ações que stimuleren a inclusão.
A resposta da Câmara Municipal
A atitude da Câmara Municipal de Londrina após a leitura dos trechos problemáticos da lei foi de notável silêncio. Embora a vereadora Paula Vicente tenha chamado a atenção para os perigos do texto, não houve uma discussão ampla ou ação imediata que indicasse uma intenção de rever a legislação. Isso levantou novas preocupações sobre como as mudanças legislativas são feitas e a responsabilidade dos representantes perante a população.
Consequências para eventos esportivos
A Lei nº 13.770 teve implicações diretas sobre eventos esportivos, como demonstrado quando a Câmara tentou bloquear a participação da atleta Tiffany Abreu no Campeonato Brasileiro de Vôlei. Essa tentativa de limitar a competição gerou reações rápidas, incluindo ações legais por parte da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que visam garantir o direito de participação da atleta e outras pessoas de identidades diversas nas competições, além do reconhecimento do direito ao esporte.
O papel da comunidade LGBTQIA+
A reconfiguração da narrativa do esporte é crucial e deve abranger todos os gêneros e orientações. A comunidade LGBTQIA+ tem um papel fundamental para combater o estigma associado e tornar cada vez mais visíveis suas lutas por reconhecimento e direitos. Instituições esportivas e Atletas aliados ao movimento são essenciais para a construção de um espaço mais inclusivo e respeitoso.”
O que pode mudar no futuro?
O futuro da Lei nº 13.770 e sua implementação ainda é incerto. Existe uma expectativa crescente por parte da comunidade e dos defensores dos direitos que a lei passe por uma revisão ou mesmo sejam propostas novas legislações que promovam a inclusão. As reações negativas em resposta a esta lei podem ser um sinal de que a sociedade está se movendo em direção a um maior reconhecimento e aceitação da diversidade na prática esportiva, mas a luta pela equidade e pelos direitos continua.
