Uma lista que incita o boicote a estabelecimentos comerciais de Londrina circula em grupos de WhatsApp, focando em seus proprietários e suas orientações políticas.
A controvérsia começou após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, quando mensagens alertando para o boicote começaram a ser compartilhadas, afetando o comércio local.
Entre os negócios citados está o Bar do Tobias, que serve como espaço de acolhimento à comunidade LGBTQIA+ e enfrenta desafios a partir das intimidações políticas.
Cenário de boicote e suas implicações
Após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 25 de outubro, uma lista circulando em grupos de WhatsApp tem incentivado o boicote a estabelecimentos comerciais de Londrina com base no posicionamento político de seus proprietários. O Bar do Tobias, um conhecido ponto de encontro da comunidade LGBTQIAPN+ na cidade, teve seu proprietário, André Tobias Machado, alertado sobre essa lista através de capturas de tela enviadas por terceiros.
Segundo Tobias, a lista inclui nomes de diversos estabelecimentos, alguns deles pertencentes a empresários com visíveis posicionamentos políticos de direita. Ele expressou preocupação com a falta de credibilidade nas informações divulgadas e criticou a incitação à violência que leva a esse tipo de boicote.
A campanha de boicote gerou uma onda de mensagens de ódio e perseguição, o que afeta diretamente não apenas os proprietários, mas também os funcionários e a economia local em geral. Em função dessa situação, a liberdade política e a diversidade cultural da cidade estão sob risco.
Impactos na economia local
O comerciante André Tobias enfatiza que a tentativas de boicote têm consequências significativas para a economia de Londrina, pois todos os envolvidos nos estabelecimentos afetados, incluindo garçons, cozinheiros e atendentes, podem ver suas fontes de renda ameaçadas. O Bar do Tobias, por exemplo, emprega atualmente quatro trabalhadores diretamente e outros dez indiretamente.
Além disso, a cidade já enfrenta desafios em relação ao investimento na cultura e no lazer. Em abril deste ano, a Câmara Municipal de Londrina rejeitou um pedido de urgência para a votação do Plano Municipal de Cultura (2026-2036), que previa dobrar o investimento na área cultural. Essa rejeição fez com que Londrina perdesse a oportunidade de se inscrever em um programa estadual que exigia a aprovação do plano dentro do prazo. A falta de investimento em cultura agrava ainda mais a situação de negócios independentes que dependem do fluxo cultural.
Tobias também aponta que os boicotes e a disseminação de informações erradas acabam por criar um efeito cascata, prejudicando o dinamismo da cidade, e reforçando a necessidade de um ambiente respeitador da pluralidade de pensamentos e do direito à livre expressão.
A voz dos empresários e trabalhadores
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) divulgou uma nota repudiando os boicotes que têm sido promovidos nas redes sociais. A entidade destacou que o setor gastronômico desempenha um papel fundamental na geração de empregos e na convivência social da cidade, e que tais práticas de boicote não apenas prejudicam empresários, como afetam a vida de trabalhadores que dependem desses estabelecimentos.
Por outro lado, segundo relatos, o cenário se agrava com o aumento de denúncias de assédio nas relações de trabalho, onde o posicionamento político tem sido fonte de intimidação, com casos quase triplicando no Paraná entre o primeiro e o segundo turno das eleições.
Em um contexto onde a liberdade de expressão e a diversidade devem ser respeitadas, é essencial que empresários e trabalhadores unam esforços para preservar a pluralidade e o respeito nas relações de trabalho e no convívio social.
